Ter um clube de Desbravadores na igreja é bom ou Ruim ?
Parte I
Por mais que essa pergunta possa parecer estranha para quem gosta do clube, não é raro que ela ocorra vez ou outras na cabeça das pessoas que tem a responsabilidade de compartilhar a liderança da igreja. Na verdade, não é nada difícil encontrar igrejas com enormes dificuldades em seus clubes de Desbravadores e por isso muitos anciãos e pastores chegam a pensar que bom mesmo seria – Não ter um clube funcionando.
O pensamento parece ser o seguinte:
Crianças = bagunça;
Adolescentes = rebeldia = bagunça;
Desbravadores = Crianças e adolescentes, logo;
Desbravadores = Bagunça!
Bagunça quebra a reverência e prejudica a adoração e o aprendizado na igreja. Então pra que ter um clube de Desbravadores se tudo o que eles sabem fazer é apenas bagunça? De fato tenho observado em minha longa trajetoria como desbravador uma enorme quantidade de Clubes que falham terrivelmente em sua missão, clubes que muitas vezes realizam feitos notórios mas que acabam ofuscados pela forma descuidada com que conduzem o seu programa.
Mas antes de dizer o que penso sobre clubes que não fazem o seu papel, deixa eu lhes contar como era o primeiro clube de Desbravadores em que participei: Ele se chamava “Seguidores de Cristo” e funcionava no pequenino prédio do grupo Adventista do Sétimo dia do bairro do São Francisco, aqui em São Luís, capital do Estado do Maranhão. Minha primeira diretora foi a Jovem Eliêde, que conduzia com todo zêlo, aquele pequeno rebanho.
Em meu primeiro Clube de Desbravadores, o programa de atividades era basicamente: Leitura da bíblia, ordem unida e futebol (bem mais futebol é claro, pela pressão dos meninos). Então, sentiram falta de alguma coisa nesse programa? Várias coisas? Nada????
Então há casos, inúmeros casos em que a igreja local não dispõe de pessoas capacitadas, ou mesmo, dispostas a liderar o clube de Dbvs, e diante da correta visão de que se precisa e muito de um clube funcionando, são postas pessoas que não tem o preparo necessário para a tarefa. Não que isto seja um impecilho, mas com certeza líderes bem treinados poderão fazer um excelente trabalho.
Quando finalmente me formei lider de Dbvs, uma geração de meninos e meninas havia crescido comigo no clube, e ao implantarmos pela primeira vez o programa de classes progressivas e especialidades, houve um estranhamento enorme por parte dos membros mais antigos. Primos e amigos de infância que em sua maioria tinham a mesma idade que eu, resistiam bravamente a um clube onde não mais se jogava bola o tempo todo. Houve uma debandada geral, todos os antigos membros saíram (eram maiores de 15 anos) e ficamos então com um clube de guris, dentro da faixa adequada.
Com muito esforço fizemos caminhadas, pernoites, acampamentos e começamos a ter um clube com cara de Desbravadores, conseguimos realizar a nossa primeira investudura e aí nossa história começou a mudar para melhor.
De outra feita, em outro clube, num bairro do qual o diretor havia se mudado, fui convidado a ajudar na liderança. Era um clube ativo, campeão de ordem unida, não perdia um acampamento da região e todas as unidades tinham conselheiros comprometidos com seu grupo. No entanto havia dois problemas: Não havia ninguém investido em nenhuma classe, e isso era péssimo porque as pessoas passavam anos a fio realizando inumeras atividades e isso não ficava registrado em lugar nenhum a não ser na memória dos dbvs e honestamente, o melhor lugar para registrar as coisas que o clube faz é no uniforme dos meninos e meninas, com trunfos, distintivos e bóttons.
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